Bianca Bracho: Acoso Callejero & Cantadas de Pedreiro -->

Acoso Callejero & Cantadas de Pedreiro

Olá Pessoal, 

Resolvi fazer esse desabafo, afinal, é algo que me incomoda muito e que até eu morar aqui nunca tinha entendido muito bem como era isso. Ao longo do texto, você encontrará vídeos que peguei e achei muito interessante compartilhar com vocês.
O tema de hoje aborda como é ser mulher e viver em Buenos Aires, ser mulher ás vezes pode ser maravilhoso, mas ás vezes é irritante. Hoje me dedicarei a falar sobre a parte irritante, pelo menos para mim...
Se você se incomoda com as cantadas de "pedreiro" que você escuta quando passa por uma obra no Brasil, multiplica isso para todos os homens e de qualquer lugar na capital de Buenos Aires, sim é assim mesmo, você a cada dois passos escuta uma cantada e pode acreditar é insuportável.
Mencionei o fato da capital federal porque é aqui que presencio esse tipo de situação e como é um desabafo, não quero generalizar um país todo baseado na minha experiencia em Buenos Aires.
Essas cantadas podem vir de qualquer um, de um homem com idade para ser seu avô (Viejos verdes/ esses vovozinhos que ficam mexendo com mulheres novinhas, essa é a expressão que uma amiga usa) e de um menino de 10 anos. 
Tudo que é diferente chama atenção, até ai eu entendo, mas precisa faltar tanto ao respeito assim?
Outra situação é caminhar com o Pupi e bom ai começam as brincadeirinhas " eu gostaria de ser seu cachorro", "me coloca na coleira e me leva para onde você quiser", "o cachorro é lindo, mas a dona"...
Tem gente que não se incomoda, tem gente que até gosta, mas na minha opinião isso começa a cansar. Já ouvi até garotas que mediam se estavam bonitas, pela quantidade de piropos(cantadas) que recebia diariamente.
Outra situação que vivenciei aqui e que foi extremamente inconveniente foi um dia eu estar caminhando no subte (metro) e um garotinho de 10 anos deu um tapa no meu bumbum, sim gente! Absurdo, mas aconteceu, na hora falei tantas coisas para essa criatura.
Não deveria ser um problema caminhar sozinha pela rua, usar um short porque voce se sente bem usando um ou passar aquela maquiagem que voce tanto gosta. O direito de poder andar em paz e ser quem voce quiser ser, deveria ser um DIREITO RESPEITADO!
Durante as minhas pesquisas sobre o assunto e até mesmo durante conversas com amigas, descobri um grupo chamado Vamos Juntas?, ele foi criado pela jornalista brasileira Babi Souza, o movimento incentiva as mulheres a oferecerem companhia e apoio mutuamente nos espaços  públicos, aumentando assim a sensação de segurança e união feminina. Esse movimento também existe aqui na Argentina, para aquelas(es) que tenham interesse em conhecer o projeto, basta entrar na página do face e acompanhar. A Jéssica Pedroso que é a dona da página aqui na argentina, é brasileira também e foi muito solicita com todas as minhas dúvidas e mensagens. 
Para quem se interessa pelo assunto, porque não procurar por mais informaçoes e compartilhar para que outras pessoas também possam aderir a programas tão interessantes?
Essa iniciativa foi maravilhosa e estou torcendo para que seja ainda mais propagada e que mais garotas conheçam e se ajudem!

Um estudo realizado pela Universidad Abierta Interamericana, detectou que 72,4% das mulheres entrevistadas foram alvo de desconhecidos que gritaram coisas enquanto caminhavam, 59,2% mostraram-se intimidadas e incomodadas, 76,2% das mulheres manifestou não reagir ao ato, talvez por medo. Essa pesquisa foi feita em homens e mulheres que vivem em Buenos Aires e segundo a opinião dos homens "as mulheres gostam" e por isso continuam com essa atitude.


Segue alguns comentários que escutei durante a minha pesquisa sobre o assunto:


  • N.G:"Oi bianca, legal escrever sobre esse tema! Bom sobre assédio aqui eu acho que é um "costume" dos homens aqui. Desde a primeira vez que vim, em 2010, sempre fui assediada. É nojento, na minha opinião, mas é impossível fugir... Já tive situação de receber 5 cantadas seguidas, numa descida de rua! Antes fosse só um "linda", "gostosa" ou afins, são realmente agressivos e se aproximam muito da gente para falar, morro de pavor que algum cara tente encostar em mim! Enfim, infelizmente essa prática comum deles aqui me mata"...É uma experiencia horrivel. As pessoas podem pensar q somos seletivas, que se fosse algum carinha bonito adorariamos, mas nao é assim...É nojento vindo de qlq pessoa e nós brasileiras nao estamos acostumadas com tanto assedio assim.
  • C.L.R : "Os homens precisam de mais gentileza, não é proibir as olhadas ou cantadas, mas serem mais sutis, mais discretos. As mulheres gostam de cantadas desde que seja com delicadeza!"
  • G.G: " É verdade que o assédio "callejero" é costume aqui em Buenos Aires, sem dó nem piedade, desde pedreiro, taxista, porteiro, "viejos verdes", e até aquele carinha que você achava uma gracinha(achava....antes de te fazer sentir um objeto com uma simples frase). Um fato curioso aqui em Buenos Aires é a mudança de clima...É complicaaado!!!! Se normalmente os homens mandam esses "piropos", quando chega a primavera você pensa duas vezes antes de colocar um vestido. O motivo? Não sei se é mais uma coisa de repressão sexual ou se é mais sobre como foram educados e como aprenderam que isso era o certo a fazer! Acredito que assim como a sociedade é responsável por permitir esse assédio vivido no dia a dia, só a sociedade pode derrubar essa cultura machista, hoje em dia somos conscientes, temos mais ferramentas sociais e políticas. E porque não pensar em um momento de reeducação do papel do homem e da mulher na sociedade. Por isso temos um papel sumamente importante hoje e essa responsabilidade pesa, como construir a sociedade de amanhã? O que podemos fazer para melhorar como um todo? Falar mais sobre o assunto? Colocar o tema em evidencia? Acredito que uma boa forma seria a troca de idéias com amigos e familiares e principalmente prestar atenção no que transmitimos como exemplo para as crianças da nova geração".
Outra informação que acho relevante é que no Peru foi criada uma lei para evitar/prevenir esse tipo de situação, vou colocar algumas informações para que vocês possam conhecer e caso tenham interesse em aprofundar as informações deixarei o link da página virtual abaixo.

Lei n°30314:
Artigo 4 - Conceito: O conceito de acoso sexual (assedio sexual) nos espaços públicos é a conduta física e verbal de natureza ou conotação sexual realizada por uma ou mais pessoas em contra a outra pessoa, pessoa a qual não deseja e repudiam essas condutas por acreditar que afetam sua dignidade, seus direitos fundamentais como a liberdade, a integridade, livre transito, criando nelas intimidação, hostilidade, degradação, humilhação ou um ambiente ofensivo nos lugares públicos.

Artigo 5 - Elementos que caracterizam o assedio sexual em locais públicos: 1)Ato de natureza ou conotação sexual; 2)A rejeição expressa do ato de natureza ou conotação sexual por parte das vítimas salvo que as circunstancias do caso impeçam expressar ou se tratem de menores de idade.

Agora que já falei sobre o acoso callejero e cantadas de pedreiro, aqui vai um vídeo que achei sensacional e que retrata como seria se fosse o contrário. Imagina se nós mulheres começarmos a fazer o mesmo que fazem conosco? Será que seria muito agradavel? Será que eles se sentiriam um pedaço de carne? 




Links importantes e que possam te ajudar a entender mais sobre o assunto:


  • http://g1.globo.com/rio-de-janeiro/noticia/2015/08/movimento-vamos-juntas-une-desconhecidas-contra-violencia.html
  • http://www.politicargentina.com/notas/201510/8687-dia-de-lucha-contra-el-acoso-sexual-callejero.html


Espero que tenham gostado!

Sempre que tiverem dúvidas, sugestões, estou á disposição!
Um beijo e fiquem bem...


Um comentário:

  1. Tenho 41 anos, moro em Buenos Aires ha 16 anos .Comecei a vir a Buenas Aires em.1998 quando comecei a namorar o meu marido.e muitas vezes saia sozinha , quando ele estáva trabalhano.A mae dele ficava desesperada ja que era um bairro na capital más longe do centro.oq eu notei de cara era q os homens pedía a sentar com vc na mesa ,nao so no McDonough más ate em café, lógico que sempre tentavam puxar um papo " que frío ne" .Cómo a simpatía nao e uma características minha e eu nao quería que percebiam que eu fosse brasileira, so balancava a cabeca.Na época eu com 22 anos tinha uma cunhada de 20 que fazia medicina na Uba, eu comentava com ela, e ela achou estranho meu comentario pq achou que no Brasil era muito más comum.Me casei em 2001 , meu marido na época era fiscal que seria promotor de justicia no Brasil.Meu vicinho de lado um total descarado , me olhava de cima em baixo , mordía a boca quando me vía e jamás comprimen tu meu marido, ate o día que descobrio q meu marido trabalhava na justica.e engracado que aquí os homens mexem com vc gravida, com filho pequeno no colo, com mae , junto com senhoras, e falam coisas do carro ate quando vc de maos dadas com marido.O tempo passou hj tenho 41 anos e filho adolescente , ja aconteceu de um ha roto me seguir que estáva com uniforme do colegio do meu filho 17/18 anos, e os velhinhos de bengala , aqueles bem vovozinho que nem consegue andar.

    ResponderExcluir

Formulário de contato

Nome

E-mail *

Mensagem *