Bianca Bracho: Brasileiros pelo Mundo: Relato de um Brasileiro morando na Irlanda -->

Brasileiros pelo Mundo: Relato de um Brasileiro morando na Irlanda

Oi Gente, tudo bem?
Dessa vez, pedi para o Ari que esta fazendo intercambio na Irlanda nos contar um pouco sobre como esta sendo a experiencia dele lá. Leiam amigos, esse texto que ele escreveu foi escrito com muito carinho e espero que assim como ele, outras pessoas se permitam viver uma experiencia como a dele.


 

Primeiramente, quero agradecer de coração essa linda da Bianca que me convidou para escrever um texto sobre meus aprendizados aqui na Irlanda no blog dela, o qual eu acompanho direto. As histórias que ela conta são além de divertidas muito úteis pra quem pensa em morar fora do país. Dito isso, vamos ao que interessa!  

Cheguei na ilha esmeralda em agosto de 2017, mais precisamente no dia 03. Meu visto aqui é de cidadão NÃO EUROPEU, portanto ele tem a duração de 8 meses, sendo 6 meses de curso de inglês mais 2 meses de férias. Tal visto (stamp 2) permite-me ainda trabalhar por 20h semanais aqui na Irlanda. Se eu quiser, posso renovar esse visto por mais dois períodos de 8 meses: basta eu pagar um novo curso na escola, portanto o cidadão não europeu pode ficar por aqui estudando inglês por três períodos de 8 meses, totalizando 24 meses, ou seja, dois anos. Após esse período, você ainda pode ficar na Irlanda, mas para ficar legalmente terá que aplicar algum curso universitário por aqui. Pra ser sincero, não sei muito bem esses detalhes, mas isso é o básico.  


Bom, chega de regrinhas burocráticas. É hora de falar um pouco sobre minhas sensações e aprendizados até agora por aqui. Acho que o mais fácil e menos entedioso para o leitor é fazer uma lista do que está rolando aqui. Lembrando que essas aqui são MINHAS SENSAÇÕES. Obviamente, são diferentes das outras pessoas. Ainda bem, né? 
1) "O que eu fazendo aqui?" - Essa foi a minha primeira pergunta assim que o avião pousou em Dublin, em 03 de agosto. Após 11h de voo de SP para Frankfurt, escala de 4h e outro voo de 3h pra Dublin, finalmente cheguei na capital do país e eu juro que se tivesse um voo de volta pra SP ali na hora eu pegaria (kkkkkk!). A sensação foi de estar literalmente entrando numa fria (e olha que eu cheguei no ápice do verão por aqui – leia-se ápice do verão uns 15 graus!)  
2) "Comemore as minúsculas vitórias" - Quando iniciamos uma jornada dessa, cada coisinha que dá certo no começo é motivo de QUASE SOLTAR FOGOS de tão feliz/aliviado que você fica. A minha primeira sensação assim foi quando eu passei na ATERRORIZANTE IMIGRAÇÃO do aeroporto e em seguida minhas malas estavam ali e não haviam sido extraviadas! Juro por deus que depois dessas pequenas vitórias, se eu pudesse eu faria até um discurso na ONU saindo do aeroporto. Mas, falando sério: as pequenas vitórias no começo do intercâmbio te dão muita confiança e é engraçado porque ao mesmo tempo você quer voltar pra sua casa no mesmo instante. Pelo menos comigo foi assim. 
3) "Parece pouco, mas não é" - Cheguei, passei na imigração, peguei as malas e encontrei o cara do transfer que me levou pra Bray (cidade onde moro, estudo e trabalho atualmente e que fica a 40 minutos de Dublin). O transfer me levou até a residência estudantil que foi contratada por duas semanas, ou seja, eu tinha 14 dias pra encontrar uma acomodação fixa. Aí que entra o título da lista: parece pouco tempo, mas não é. Assim que cheguei, foquei nesse objetivo. Entrei nos sites de aluguel aqui da Irlanda e comecei a mandar email pra todo mundo (com a ajuda do google tradutor...hehehe). Até que uma mulher me respondeu e alguns dias depois, ELA ME LIGOU! Que desafio filha da mãe você ter que ATENDER O TELEFONE de alguém em outro país. Quando o telefone tocou, eu pensei QUEM TÁ ME LIGANDO AQUI, CARAMBA!? Eu tinha duas opções: rejeitar ou aceitar. Eu aceitei e era a mulher da casa que estou até hoje agendando uma visita. Eu não entendi 5% do que ela disse, mas acabou dando certo. Aqui o item  2 e 3 se misturam: comemore as minúsculas vitórias e parece pouco, mas não é, ou seja, 'passei no teste do telefone', que parece pouco, MAS NÃO É! Hehehe! 
4) Nível de inglês - Eis um tópico importante. Eu cheguei na Irlanda com um nível um pouco acima do básico, então eu consegui SOBREVIVER nos primeiros dias. Hoje, estou no intermediário e o idioma está mais natural pra mim. Acho importante chegar aqui com um POUQUINHO QUE SEJA de inglês. Meu nível era praticamente 0 no começo de 2017. Assim que eu fechei o pacote no começo do ano, eu decidi estudar sozinho em casa antes de viajar. Comecei a ouvir rádio irlandesa durante quase todo o dia. No trabalho, no banho, em casa, na janta. Sempre conectado na RTE Radio 1 (principal rádio irlandesa). Eu fiz isso TODOS OS DIAS durante uns 5, 6 meses e um mês antes de eu viajar eu fiz aulas com professores estrangeiros através do SKYPE pelo site ENGOO (recomendo! É bem legal!). Isso me ajudou MUITO mesmo. É claro que tem gente que é maluca e vem aqui com 0 de inglês (haha!), mas ter um pouquinho de entendimento do idioma assim que eu cheguei me deixou um pouquinho mais confiante.  


5) Brasileiros na Irlanda – SIm! Tem bastante! Mas bastante mesmo! Bray tem pouco mais de 30 mil habitantes e não é raro você ouvir um português pelas ruas. Mas, relaxa parceiro (a). Estou falando disso porque essa questão do número alto de brasileiros no país poder afetar seu aprendizado era um dos meus medos também. Cheguei aqui com isso na cabeça: EVITE OS BRAZUCAS! Se eu pudesse dar uma dica hoje, falaria o contrário: FAÇA AMIZADES COM BRAZUCAS! AJUDE BRAZUCAS RECÉM-CHEGADOS! Fica tranquilo que seu aprendizado não vai ser afetado. Na minha sala atualmente, estamos em 6 brasileiros e mais 7 gringos, ou seja, AQUI EM BRAY TEM BRAZUCA pra caramba também, mas fica tranquilo que isso não atrapalha. Pelo contrário! Pode confiar. Consegui meu trabalho atual por indicação de um brother brasileiro, então relaxa. Você vai fazer amigo brasileiro e amigo gringo também 
6) Saudades do Brasil – Lembrando aqui novamente que se trata de sensações minhas. Dito isso, eu tenho bastante! Muita saudade daquela 'zona lá'. É o que eu falo pra todo mundo que me pergunta porque eu não irei renovar o curso. Pra mim, essa experiência aqui está sendo mais como um 'período sabático', pra recarregar energias e também conhecer o mundo. Estou priorizando viagens pela Europa (VIAJE SEMPRE!) e tenho um mochilão planejado pra fevereiro assim que acabar meu curso. Mas, voltando ao tópico: sinto saudades todos os dias do Brasil, do clima, da família, dos amigos, de ir nos jogos do tricolor paulista, enfim. Da minha vida 'enraizada' de lá. Nada contra quem vem pra ficar de vez ou quem vai renovar todas as vezes possíveis. Pelo contrário! Eu admiro essa galera meio 'desapegada' daquela 'zona lá', que eu descobri que eu amo demais só quando eu saí dela, apesar dos trocentos mil pesares que temos no Brasil, não é mesmo? 
7) Trabalho Esse era outro monstro de 7 cabeças! Eu pensava: 'Jesus! Como eu vou arrumar trabalho em outro país sem falar a porra da língua dos caras direito?'. Mas após passar o primeiro mês, uma colega brasileira (outra ajuda de BR) indicou-me um aplicativo chamado 'Job SearchIndeed'. Vc cadastra suas informações, filtra suas buscas de trabalho (eu coloquei cleaner e kitchen porter) e a partir daí você aplica para as vagas através do aplicativo. Eu sei lá o que acontece, mas pelo jeito os empregadores devem olhar primeiro esse APP. Eu não entreguei nem 10 currículos aqui, mas já trabalhei em 3 lugares sendo que dois serviços foram alcançados através do APP, fora mais três que eu DISPENSEI FAZER ENTREVISTA porque estava empregado. Então, relaxa também porque trabalho TEM SIM! E eles aparecem na hora certa! Confie! 
8) Dar valor, de fato, a muitas coisas – Mesmo no Brasil, sempre procurei dar atenção pra galera que faz o 'trabalho sujo', como faxineiros – o 'tio' da limpeza –, pessoal que trabalha na cozinha, na montagem de eventos, entre outras DIGNÍSSIMAS atividades. Aqui na Irlanda, trabalhei e trabalho diretamente com isso: limpei banheiros de um prédio comercial em Bray e atualmente revezo faxina em uma escola e também atuo famoso kitchen porter ( o famoso auxiliar de cozinha) em um restaurante perto de Dublin. Dito isso, eu preciso passar alguns recados pra quem tá lendo: NÃO SUJE O LUGAR QUE VOCÊ ESTÁ DE GRAÇA! Às vezes, acontece de sujar sim, mas não seja o FDP de sujar 'propositadamente' tendo o pensamento escroto de que 'tem gente que limpa'. Não é assim não, fera! E, em segundo lugar, COMA A COMIDA INTEIRA QUE VOCÊ PEDIU no restaurante! Eu trabalho numa cozinha very busy aqui e é incrível a quantidade de comida INTEIRA que se joga no lixo porque o fresco ou a fresca não quer mais comer. TEM QUE COMER TUDO SIM! Muita gente nesse mundo passa fome, caramba! Se você tem a sorte e a benção de poder ir num restaurante comer, não desperdice essa sorte que a vida te deu. Pronto! Desabafo feito! 
9) Viagens – Como eu disse, essa é a minha grande prioridade nesse intercâmbio! Até agora, em pouco mais de quatro meses, eu fui pra Alemanha na Oktoberfest e passei uma semana na Noruega, o lugar mais incrível que eu já fui na vida e em fevereiro vou viajar por uns 14 países antes do meu retorno pro Brasil. Gente, outra dica: VÃO CONHECER O MUNDO! Aqui é fácil! Tem passagem de 10, 12 euros pra Londres, Amsterdã, Paris, etc. São três verbos simples pra fazer seu sonho virar realidade: PLANEJE! PRIORIZE E VÁ! Quando eu digo priorizar quero dizer que já deixei de sair pra muita baladinha aqui pra economizar o 'suado' dindin que a gente ganha limpando chão, tirando lixo e esfregando prato. Aí vai de cada um! Mas, eu aconselho: VIAJE! Faça um esforço ali, deixe de tomar aquela PINT acolá e VAI VIAJAR. Estando aqui na Europa, tudo fica mais fácil! 


Acho que é isso, pessoal! O aprendizado segue! E de tudo, viu?! Como um brother brazuca daqui diz: 'o que a gente menos aprende aqui é inglês'. E é verdade! Parece que a frase é meio desanimadora, mas não é não! Eu ainda tenho mais três meses de intercâmbio e tenho certeza de que todas minhas futuras ações serão pautadas diante de todas as experiências que eu vivi aqui. Às vezes, essa ilha verde aqui é meio 'durona' com a gente, mas tenha certeza que isso é pro meu, pro seu e pro nosso bem! BAITA EXPERIÊNCIA! Obrigado se você leu até aqui! :)  


 
Se você assim como o Ari, tem interesse em compartilhar sua história, ficarei muito feliz em compartilhar.
Beijos Beijos




2 comentários:

  1. Parabéns pela postagem Ari. Orientadora e muito emocionante.
    Abraço

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  2. Prezado Ari, grande relato! Além de ótimo fotógrafo, baita repórter! Abração!

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